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6 de mai. de 2013

CÉLULA-TRONCO OBTÉM SUCESSO

Terapia com célula-tronco contra esclerose obtém sucesso

As conquistas do agrônomo Henrique Dias, de 68 anos, podem servir de esperança para portadores da esclerose lateral amiotrófica (ELA), uma rara doença neurodegenerativa que atinge um em cada cem mil habitantes. Dias é o primeiro brasileiro a passar por um bem-sucedido tratamento que regrediu a enfermidade usando células-tronco.

A boa notícia, no entanto, deve ser vista com cautela, advertem os especialistas, uma vez que o procedimento ainda é experimental e demanda mais um ou dois anos de pesquisas antes que se comprove a eficácia e sejam cumpridos todos os requisitos para que o método seja autorizado.

"A melhora é lenta, mas o tratamento deu certo. É um negócio muito novo, mas para mim foi ótimo", diz Dias, que em 2006 foi diagnosticado com a síndrome e antes do procedimento não conseguia falar nem se locomover. Os resultados do estudo inédito conduzido pelos hematologistas Adelson Alves e Elíseo Joji Sekiya foram apresentados nesta semana durante o Congresso Internacional de Terapia Celular, realizado na Nova Zelândia.

Dois fatores principais contribuíram para o sucesso da nova técnica. O primeiro deles foi a escolha da matriz no organismo para a retirada celular. Ao invés de usar células hematopoéticas (extraídas da medula óssea), os pesquisadores escolheram as células mesenquimais (presentes no tecido adiposo e no cordão umbilical), que são a aposta para o tratamento de doenças autoimunes como diabetes, mal de Alzheimer e esclerose múltipla.

Assim, fizeram uma minilipoaspiração no abdome do paciente para coletar a gordura e cultivaram as células no laboratório da Cordcell, um centro de pesquisas de terapia celular que também possui banco de armazenamento de células do cordão umbilical. A segunda inovação foi o método de infusão das células-tronco no corpo do paciente. Em vez de injetá-las na veia, optaram pela via raquimedular, por meio do liquor (liquido do cérebro), diretamente no sistema nervoso. Os custos do estudo foram pagos pelo laboratório.

Para iniciar o tratamento, foram necessárias autorizações do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e da Justiça. A permissão ocorreu sob o argumento do "uso compassivo", quando não há tratamento convencional disponível para um paciente em estado terminal e se permite o acesso a remédio ou técnica que esteja em fase ainda experimental. A ELA é uma enfermidade progressiva e fatal, caracterizada pela degeneração dos neurônios motores, que são as células do sistema nervoso central controladoras dos movimentos voluntários dos músculos.

"Na época do diagnóstico foi um choque porque disseram que ele teria um ano de vida. Quando surgiu a chance de fazer o tratamento, ninguém teve dúvidas", disse um dos três filhos do agrônomo, o administrador Renato de Souza Dias. "Meu pai sempre se colocou à disposição, mesmo sabendo que era experimental e sem garantia de resultados."

A primeira infusão foi feita em janeirode 2012. Nos seis meses seguintes, a equipe avaliou a segurança do procedimento, monitorando se o paciente apresentava alguma reação ou efeito colateral indesejado. Passado esse período, foram realizadas outras duas infusões, num intervalo de 30 dias.

Pouco tempo depois do início do procedimento brasileiro, pesquisadores norte-americanos conseguiram aprovação da Food and Drug Administration (FDA, a agência reguladora de fármacos nos Estados Unidos), para selecionar 25 pacientes para iniciar os estudos da técnica na Clínica Mayo, em Rochester, Minnesota. Agora, os cientistas do Brasil e dos EUA estão em contato para compartilhar as experiências adquiridas.

Atualmente, Dias conversa, caminha com ajuda, atende o celular e consegue segurar pequenos objetos. "O principal resultado é que ele parou de piorar", diz o filho. Os resultados foram tão animadores que o hematologista deve pedir nova autorização ao Conep para realizar o procedimento em outros dez pacientes. "Houve melhoria significativa em relação ao quadro que ele estava, e isso foi muito animador para nós pesquisadores", disse Alves. "Esse foi um caso excepcional, mas existe essa luz no fim do túnel. É um indício de que estamos no caminho certo."

Fonte: Gazeta do Povo/ Saúde



Postado por Daisi Oliveira de Souza


DESVENDADO O SEGREDO DO ENVELHECIMENTO

Cérebro: Desvendado "segredo" do envelhecimento

Quinta-feira, 02 de Maio de 2013

Enquanto a Humanidade continua à procura da "fonte da juventude", um grupo de investigadores norte-americanos parece ter descoberto a "fonte do envelhecimento", uma região do cérebro que poderá ter um efeito semelhante, já que o seu controlo abre caminho a estratégias para combate a doenças associadas à idade e ao aumento da esperança de vida.

Os especialistas do Albert Einstein College of Medicine da Universidade de Yeshiva, nos EUA, constataram, através de testes em ratinhos, que a região do hipotálamo - que é responsável pela fome, a sede, a temperatura corporal e a fadiga - controla a forma como o organismo vai entrando em declínio e envelhecendo ao longo do tempo. 

"Há muito tempo que os cientistas têm tentado compreender se o envelhecimento ocorre independentemente nos vários órgãos e tecidos corporais ou se é ativamente regulado por um órgão específico", afirma Dongsheng Cai, professor de farmacologia molecular que coordenou o estudo publicado esta terça-feira na edição online da revista científica Nature.

"O nosso estudo tornou claro que muitos aspetos do envelhecimento são controlados pelo hipotálamo. O mais entusiasmante é que é possível - pelo menos em ratinhos - 'alterar' os sinais dentro desta região do cérebro para desacelerar o envelhecimento e aumentar a longevidade", explica o especialista em comunicado.

Descoberta abre caminho a novas estratégias

Para chegar a esta conclusão, os investigadores decidiram estudar a inflamação no hipotálamo, focando-se numa proteína complexa denominada NF-kB, que se encontra no núcleo dos processos inflamatórios (envolvidos em muitas doenças ligadas ao avanço da idade) em associação com várias centenas de outras moléculas. 

Através da ativação desta proteína no hipotálamo dos ratinhos, os cientistas observaram um envelhecimento mais acelerado, evidenciado por sinais como "a perda de força muscular, de rigidez cutânea e da capacidade de aprender", e uma consequente redução da esperança de vida.

A equipa da instituição norte-americana descobriu também que a ativação desta proteína causou a diminuição dos níveis de uma hormona sintetizada no hipotálamo - a GnRH -, que contribui igualmente para o envelhecimento corporal. Os cientistas administraram, então, injeções desta hormona por um período prolongado, conseguindo "desacelerar" o declínio cognitivo e físico e reverter o processo.

De acordo com Dongsheng Cai, estes resultados provam que a prevenção das inflamações no hipotálamo, bem como a administração de GnRH, poderão constituir-se como duas estratégias potenciais para tratar doenças associadas ao envelhecimento e para aumentar a esperança de vida em humanos.

Fonte: Boas notícias /ciência


Postado por Daisi Oliveira de Souza



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