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9 de jul. de 2014

Exame de Sangue Detecta Alzheimer






Estudo abre caminho para diagnóstico de Alzheimer por exame de sangue simples - 

Por Kate Kelland



Cientistas britânicos identificaram um conjunto de 10 proteínas no sangue que podem prever o aparecimento do mal de Alzheimer e definiram a descoberta como um passo importante no desenvolvimento de um teste para detectar essa doença cerebral incurável.

O teste poderia ser usado inicialmente na seleção de pacientes para tratamentos experimentais com o objetivo de tentar deter a progressão do mal de Alzheimer, disseram os pesquisadores, e poderia um dia passar a ter uso rotineiro em clínicas médicas.

"O Alzheimer começa a afetar o cérebro muitos anos antes que os pacientes sejam diagnosticados com a doença. Muitos dos nossos testes com drogas falham porque no momento em que os pacientes recebem os medicamentos, o cérebro já foi severamente afetado", disse Simon Lovestone, da Universidade Oxford, que liderou este trabalho do King's College, de Londres.

"Um simples exame de sangue poderia nos ajudar a identificar os pacientes em um estágio bem inicial para que participem de novos testes, e assim esperamos desenvolver tratamentos", disse ele.
O valor das ações da empresa de biotecnologia Proteome Ciências, coautora do estudo com cientistas do Kings College, subiu 12 por cento após a divulgação da notícia na manhã desta terça-feira.

O mal de Alzheimer é a forma mais comum de demência, uma doença que danifica o cérebro. Em 2010, a estimativa era que o custo decorrente da enfermidade no mundo chegava a 604 bilhões de dólares por ano.
A doença fatal afeta 44 milhões de pessoas em todo o mundo e a estimativa é que esse número triplique até 2050, segundo a entidade Alzheimer's Disease International.

Reuters Brasil

1 de jul. de 2014

Nem Tudo é Alzheimer




Na novela em família personagem vive declínio cognitivo.
Eis aqui um temor de muitos. A percepção de um declínio cognitivo após certa idade traz uma série de sentimentos e temores à tona. O que é um declínio normal ? Será um caso de Alzheimer ? Qual será velocidade de progressão dos sintomas ? 

A novela de Manoel Carlos (Em Família) traz uma personagem (Selma - vivenciada pela atriz Ana Beatriz Nogueira) com claros e inequívocos lapsos de memória. Ela aparenta estar por volta dos seus 60 anos de idade, conversa bem, parece recordar bem do passado remoto, no entanto, sua capacidade de fixar novas memórias é falha e isso gera inúmeras situações embaraçosas e angustiantes. 

Segundo o Neurologista Leandro Teles, membro da Academia Brasileira de Neurologia, todo declínio cognitivo deve ser investigado, quantificado e ter seus determinantes elucidados. “Independente da idade de início, sempre que ocorrer perda ou redução de habilidades intelectuais previamente desenvolvidas, com impacto negativo na qualidade de vida, surge a necessidade de avaliação, investigação e conduta médica apropriada”, afirma.

Inicialmente é recomendada uma consulta abrangente e estruturada, afim de determinar a intensidade e quais habilidades mentais estão funcionando aquém do esperado. “Existem várias capacidades mentais que podem (e devem) ser testadas para guiar um diagnóstico desse tipo de declínio, tais como: atenção, função executiva, memória (retenção e evocação), capacidade visual espacial, etc. Muitas vezes a queixa é de dificuldade em memorizar e o problema está em outra habilidade mental, como a atenção, por exemplo” explica o especialista.

NEM TUDO É ALZHEIMER

Na verdade, a doença de Alzheimer é uma das causas comuns para a perda progressiva da habilidade de fixar adequadamente novas memórias, mas não a única. Segundo Teles, existem diagnósticos que podem mimetizar alguns aspectos do Alzheimer, confundindo até especialistas: “A memória é uma função muito complexa e sujeita a ruídos, quadros de esquecimentos podem eventualmente ser fruto de disfunção da tireoide, depressão, pequenos acidentes vasculares cerebrais não percebidos, traumatismo repetido na cabeça, carência vitamínica, outras doenças degenerativas que não Alzheimer, etc",diz o neurologista. E complementa: “Por vezes, o quadro inicial é bem sutil ou restrito a apenas um aspecto da cognição. Nesses casos, precisamos acompanhar o paciente por um tempo adequado até entender a natureza (progressiva ou não) do distúrbio cognitivo leve e seus determinantes”, alerta.

O que fazer ? Tem tratamento ?

A dificuldade em fixar novas memórias deve ser reconhecida e bem avaliada por um médico. Feita a investigação pertinente o tratamento deverá ser personalizado caso a caso. Segundo Teles existem medicamentos para tratar o sintoma de esquecimento e outras medidas complementares. “Sempre que uma causa reversível por identificada o tratamento deverá ser específico para a causa em questão. Aliado a isso, existem medicamentos que visam melhorar a capacidade de memorização, com bom impacto principalmente em formas inicias de distúrbios cognitivos, tanto no controle dos sintomas, como na velocidade de progressão nas causas degenerativas, como a doença de Alzheimer”, esclarece.

Além de medicamento o especialista enfatiza o papel de atividades físicas e mentais. “É fundamental manter corpo e mente ativos, tanto como prevenção, como no “tratamento. Dieta saudável, exercícios aeróbicos e atividades cognitivas rotineiras, são essenciais na evolução”,comenta. 

E finaliza: “Ainda pecamos muito no reconhecimento de formas leves de declínio cognitivo, tendemos a tapar o Sol com a peneira, atribuir sintomas de doença à idade e privamos muitos paciente de diagnóstico e condutas adequadas. Por isso gosto da iniciativa de apresentar um caso típico em um meio de grande repercussão, como a novela em horário nobre”.

Dr Leandro Teles - Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Especialista em Neurologia com Residência Médica concluída no Hospital das Clínicas da USP. Médico do Hospital Alemão Oswaldo Cruz
OBRIGADO PELA SUA VISITA E VOLTE SEMPRE

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