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| Diagnósticos de casos de Alzheimer aumentam 10% no HCor de São Paulo | ||||||||
| Considerar o enfraquecimento cognitivo leve como um estágio da doença deve alterar estatísticas | ||||||||
Lançadas no mês passado pela Associação Americana do Alzheimer, em parceria com o Instituto Nacional do Envelhecimento dos Estados Unidos, as novas diretrizes para diagnóstico de Alzheimer alteram pontos importantes em relação às anteriores, que vêm sendo usadas desde 1984. As novas diretrizes para o diagnóstico do Alzheimer podem aumentar o número de casos da doença: no Hospital do Coração (HCor) de São Paulo foi registrado aumento de 10% em 2010, comparado ao ano anterior. O ponto positivo é que agora serão identificados estágios claros da doença. O primeiro, e mais severo, é a demência, quando o paciente mostra claramente o déficit cognitivo e funcional. Esse momento é caracterizado não somente pela perda de memória, mas também por problemas de localização espacial e raciocínio. O estágio do comprometimento cognitivo leve representa uma fase inicial que consiste em debilidades mais modestas, principalmente de memória, que podem indicar a futura ocorrência da doença. Além disso, as novas diretrizes incorporam o uso dos biomarcadores – como a quantificação de determinadas proteínas presentes no sangue ou no líquido medular – para realizar o diagnóstico e avaliação da doença – para uso quase que exclusivamente de pesquisadores. Segundo a neurologista Maristela Costa, responsável pelo check-up neurológico do HCor, com as mudanças o comprometimento cognitivo leve se torna um novo diagnóstico, o que pode resultar no aumento de pessoas identificadas em um dos novos estágios da patologia. “As novas diretrizes resultarão em pouquíssimas mudanças na prática clínica atual. Entretanto, os novos critérios estão realmente abrindo o leque de possibilidades para investigarmos a doença e eventualmente encontrarmos abordagens que serão cruciais para evitar o Alzheimer”, diz Maristela. A doença de Alzheimer é uma afecção degenerativa do sistema nervoso, com causas ainda desconhecidas, e manifesta-se por uma perda sistematizada das funções corticais. Ela atinge a população acima dos 55 anos e os primeiros sintomas são alterações da memória, facilmente banalizadas no início, mas que se tornam rapidamente muito incômodas. Com o passar do tempo as funções cognitivas se complicam e surgem alterações progressivas de outras funções intelectuais como desorientação espacial, problemas de linguagem e apraxia gestual. Posteriormente, a pessoa começa a apresentar indiferença afetiva ou episódios de agressividade, acompanhados às vezes de perturbações perceptivas e alucinações, o que normalmente dificulta a realização de atividades diárias simples. | ||||||||
29 de jun. de 2011
ALZHEIMER = DIAGNÓSTICOS AUMENTAM 10%
24 de jun. de 2011
PREVENDO O ALZHEIMER
CHICAGO (Reuters) - Um novo método para diagnosticar indícios do mal de Alzheimer no fluido espinhal pode ajudar a identificar com maior precisão casos em que uma leve perda da memória pode evoluir para a demência total, segundo um estudo divulgado na quarta-feira pela revista Neurology.
"A possibilidade de identificar quem vai desenvolver o mal de Alzheimer bem no começo do processo será crucial no futuro", disse Robert Perneczky, da Universidade Técnica de Munique (Alemanha), que comandou o estudo.
"Quando tivermos tratamentos que possam prevenir o mal de Alzheimer, poderemos começar a tratá-lo muito precocemente, e possivelmente prevenir a perda de memória e de capacidade de pensamento que ocorre com essa devastadora doença."
Os atuais exames do Alzheimer no fluido espinhal avaliam desequilíbrios em duas proteínas: a beta-amiloide, que forma placas pegajosas no cérebro, e a tau, que é considerada um marcador de danos nas células cerebrais.
Vítimas do Alzheimer tendem a ter níveis reduzidos da beta-amiloide e níveis elevados da proteína tau no fluido espinhal, e médicos costumam examinar isso para confirmar se casos de demência são causados pelo Alzheimer.
No estudo, Perneczky e seus colegas procuraram vestígios de um componente importante da beta-proteína amiloide, chamado proteína precursora amiloide (APP, na sigla em inglês).
"Se você está cortando um biscoito, (a APP) é a massa em torno do biscoito que fica para trás", disse Marc Gordon, pesquisador do Alzheimer no Instituto Feinstein de Pesquisas Médicas, em Manhasset, Nova York. "É isso que eles estão mensurando aqui", disse Gordon, que não participou do trabalho.
Os pesquisadores coletaram o fluido espinhal de 58 pessoas com ligeiros problemas de memória, condição que muitas vezes evolui para o Alzheimer.
Após três anos, 21 pacientes haviam desenvolvido a doença, 27 mantinham a dificuldade cognitiva leve, 8 haviam regredido à capacidade cognitiva normal, e 2 haviam desenvolvido uma doença chamada demência frontotemporal, o que as excluiu do estudo.
A pesquisa mostrou que pessoas que evoluíam para o Alzheimer tinham no fluido espinhal, em comparação aos pacientes que não desenvolveram a doença, níveis significativamente maiores desse vestígio da APP, chamado precursor da beta-proteína amiloide.
Em combinação com outros biomarcadores, como a presença da tau e a idade do paciente, o exame tinha uma precisão em torno de 80 por cento ao prever quem iria desenvolver a doença.
Os cientistas descobriram também que a forma da beta-amiloide geralmente usada nos exames não é tão eficaz para prever quais pacientes com deficiências leves irão evoluir para a demência.
O mal de Alzheimer é fatal e não tem cura, mas laboratórios vêm tentando desenvolver formas de evitar sua progressão, e por isso no futuro os novos exames poderão ser necessários, segundo Gordon.
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